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Publicado em 24/01/2008 às 02:12.
Flu vence em disputa acirrada com Pinheiros
Juliana Veloso foi o grande nome dos saltos ornamentais no complexo aquático da Unisul

Antes de cair na água, ensaios e mais ensaios. Os movimentos longe da plataforma ou do trampolim lembram muito os realizados por atletas da ginástica olímpica. Os segundos antes de cair na água são de tensão, o corpo de cada atleta parece não possuir ossos. E foi dessa forma que os saltadores mostraram seu esporte e competiram pela Taça Brasil de Saltos Ornamentais realizada no complexo aquático da Unisul Pedra Branca, de quinta a domingo, que este ano teve como campeã geral a equipe do Fluminense, da atleta estrela do campeonato Juliana Veloso.

No final de semana a briga por pontos entre Fluminense e o time paulista do Pinheiros era acirrada. Durante o sábado, a plataforma feminina premiou com o pódio Juliana Veloso que alcançou mais uma vez o índice para o pré-olímpico desta prova. “Os pontos necessários para competir na Copa nesta categoria eu já havia conseguido nas eliminatórias, por isso agora entrei bem mais tranqüila e consegui superar um pouco mais o índice que eu precisava”, contou Juliana. O segundo e terceiro lugares nesta prova ficaram com Milena Sae e Evelyn Winkler.

No salto sincronizado na plataforma feminina o primeiro lugar ficou com a dupla Evelyn Winkler e Milena Sae, acompanhadas por Juliana Veloso e Camila Farias em segundo e Bruna Brunnett e Beatriz dos Santos em terceiro.

Na prova masculina trampolim de 3m, realizada no sábado, três índices foram alcançados pelos atletas Bira Barbosa, Cassius Duran e César Castro. Bira, que um dia antes havia dito que conseguir vencer César era muito difícil, provou o contrário. “Os meus saltos foram muito bons, isso porque eu já treino eles há um bom tempo, ao contrário do César, que decidiu experimentar novos saltos”, disse Bira.

Para a técnica do Pinheiros, a australiana Vyninka Arlow, o primeiro e segundo lugares do Pinheiros foram uma surpresa. “Estávamos com sérios problemas na piscina de saltos do clube que ficou em reforma durante algum tempo, o que prejudicou muito nossos treinamentos”, argumentou Vyninka.

César Castro, que ficou com o terceiro lugar devido a alguns erros cometidos em saltos novos, diz não ter se arrependido de tê-los apresentado na Taça. “Alguns não saíram tão bons, mas como meu foco agora é a Olimpíada, eu preciso ir treinando estes, para conseguir melhorar ainda mais até chegar lá”, contou César.

No sábado, a contagem de pontos entre as equipes do Fluminense e do Pinheiros dava uma pequena vantagem ao time do Rio, que estava com 140 pontos contra 133 do Pinheiros.

Final

O domingo, último dia das competições da Taça Brasil, foi de poucas quebras de índices. Na prova feminina trampolim de três metros competiram seis atletas, mas o pódio ficou com Juliana Veloso, que garantiu mais um índice nesta prova para a Copa do Mundo. Thammy Galera e Milena Canto Sae ficaram em segundo e terceiro. Apesar de não ter conseguido nenhum índice, a atleta do Fluminense Thammy Galera diz ter ficado contente com o resultado de todas suas provas. “Eu podia estar bem mais tranqüila se tivesse classificado agora para a Copa, mas ainda tenho uma chance em janeiro para conseguir esses resultados”, avaliou Thammy.

Para Milena Sae, as quatro medalhas conseguidas durante os dias da competição foram satisfatórias. “Ainda não alcancei o índice, mas já estou bem perto de conseguir competir na Copa, só mais um pouco de treinamento”, entende Milena, que trouxe a mãe Maria Silva para torcer na Taça Brasil. “Normalmente eu vou às competições dentro do Estado com a Milena, mas ela pediu muito para que eu viesse para cá, conhecer a piscina coberta”, contou Maria, que desde o pan- americano obrigou-se a começar a tomar remédio para a pressão arterial durante as provas da filha. “É uma emoção indescritível, acho que eu fico mais nervosa do que ela antes do salto”, brincou a mãe de Milena.

Nas duas provas masculinas realizadas no domingo, a plataforma e a plataforma sincronizada, o Pinheiros conquistou os primeiros lugares. Na primeira, o atleta e aluno da UnisulVirtual Cassius Duran venceu, seguido por Bira Barbosa e Rafael Zambaldi, atleta do Semanal que conquistou a primeira medalha nas competições. “Eu já esperava alguma colocação na plataforma, porque venho treinando esses saltos há um bom tempo”, revelou Rafael do Clube Semanal de Cultura Artística de Campinas.

Hugo Parisi, atleta do Mackenzie, competiu como extra na plataforma devido a sua recente mudança de clube, e alcançou o maior índice da prova. “Esse resultado me classificou para a Copa, o que me deixou bem mais aliviado”, disse Hugo, que lamentou não ter conseguido competir por medalhas durante a Taça Brasil.

Na prova sincronizada masculina a dupla do Pinheiros Bira Barbosa e Cassius Duran levou o primeiro lugar, seguida por Marcio Lopes e Edvaldo Pantoja do ADESEF do Pará e Luis Felipe Outerelo e Renato Leite do Fluminense.

Campeões

Nem com a boa participação do clube Pinheiros na Taça Brasil de Saltos a equipe conseguiu desbancar o Fluminense. Na contagem geral o clube carioca venceu com 198 pontos, um a mais que o Pinheiros que fechou as competições com 197 pontos. O terceiro lugar ficou com a equipe da Paraíba Grêmio Cief, do técnico mexicano Fernando Retamoza.

Entre os atletas, os destaques de eficiência também foram divididos entre os dois clubes. No masculino Bira Barbosa do Pinheiros foi o atleta com maior número de pontos e no feminino Juliana Veloso recebeu o destaque. “Sinto que entrei aqui com 50% da minha capacidade física e saio com mais de 70%”, contou Juliana satisfeita com sua participação nas provas.


BIRA E JULIANA - OS MELHORES


“Não posso dizer que estamos totalmente felizes, mas com todos os problemas que tivemos antes de chegar aqui, o segundo lugar também é válido”, lamentou Cristina Guimarães, supervisora técnica do Pinheiros que não pode trazer duas atletas para a Taça Brasil, uma por ter contraído caxumba ainda em São Paulo e outra por ter cortado o pé durante a primeira prova realizada no complexo aquático da Unisul.

Arbitragem

A competição de saltos ornamentais não é muita conhecida no Brasil. Os resultados das provas sempre são instantâneos e avaliados por seis árbitros que devem levar em consideração vários quesitos para qualificar cada salto. Fernando Retamoza, que além de técnico do Grêmio Cief da Paraíba é árbitro da Taça Brasil, contou que cada atleta sai da plataforma ou do trampolim com uma nota dez. O que vai fazer ele perder pontos é a sua evolução até chegar na piscina. “Consideramos três fases de um salto: a saída, a posição e a verticalidade, que é essencial para um bom salto, pois o atleta deve entrar bem dentro da água para conseguir boa pontuação”, explicou Fernando, árbitro há 30 anos.

Cada atleta possui aproximadamente um minuto e meio para pular na água, caso contrário ele perderá automaticamente aquele salto. E para auxiliar os competidores é obrigatória nas piscinas de salto a existência de esguichos de água. “Eles são fundamentais porque a água é um espelho se estiver parada, portanto, o atleta pode se confundir entre a distância real e a que ele imagina existir entre seu corpo e a água”, disse o mexicano.

 

Na primeira foto, Cassius Duran, aluno da UnisulVirtual (no meio, com medalha de ouro)

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