As farmacêuticas Bruna Volpato e Diony Oenning desenvolveram como Trabalho de Conclusão de Curso na Unisul uma pesquisa para verificar o conhecimento dos pacientes sobre os medicamentos utilizados por eles. O trabalho foi apresentado, pela professora Carine Raquel Blatt que foi orientadora das alunas, e premiado no II Congresso Brasileiro sobre Uso Racional de Medicamentos realizado em Florianópolis em outubro. “O trabalho das alunas destaca a participação do farmacêutico como agente neste processo”, comenta Carine.
A pesquisa tem como título a “Avaliação do nível de conhecimento dos pacientes sobre os medicamentos prescritos após a consulta médica e a dispensação em uma Unidade Básica de Saúde no Sul do Brasil”. Diony explica que as orientações sobre medicamentos fornecidas aos pacientes são fundamentais para o sucesso do tratamento. “A ausência das mesmas é uma das principais causas do uso incorreto dos medicamentos”, esclarece a ex-aluna.
Com o objetivo de verificar o conhecimento dos pacientes sobre o tratamento medicamentoso na unidade básica de saúde do município de Grão Pará, interior de Santa Catarina, as alunas entrevistaram 111 indivíduos, 70 após a consulta médica e 41 após a dispensação dos medicamentos, que geralmente é feita por um farmacêutico. Segundo Diony, foram feitas perguntas relativas ao nome do medicamento, indicação, dose, freqüência de uso, duração do tratamento, efeitos adversos e precauções, além de verificados dados referentes à prescrição médica, as classes mais prescritas, o número de medicamentos por receita, o tempo de consulta e o tempo de dispensação. “Os dados foram classificados de acordo com o nível de informação dos entrevistados seguindo a metodologia proposta pelos autores Tatiane da Silva, Eloir Paulo Schenkel e Sotero Serrate Mengue, no artigo Nível de informação a respeito de medicamentos prescritos a pacientes ambulatoriais de hospital universitário”, acrescenta.
As ex-alunas constataram que o tempo médio das consultas foi de 5,94 minutos, sendo que o tempo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 15 minutos. O tempo médio de dispensação foi de 2,6 minutos, chegando perto do recomendado pela OMS, que é de 3 minutos. Após a consulta médica 28,5% foram classificados com nível bom de conhecimento, 17,1% regular e 64,4% insuficiente. Após a dispensação 4,9% dos pacientes foram classificados com bom nível de conhecimento, 87,8% regular e 7,3% insuficiente.
“Pudemos verificar o baixo nível de conhecimento para a garantia do uso correto dos medicamentos. A maioria dos entrevistados não possui bom nível de informação para administração de medicamentos após a consulta médica. Resultados melhores foram encontrados após a dispensação, indicando a importância da presença do farmacêutico na orientação dos pacientes”, comentam as farmacêuticas.
Segundo Diony, o uso racional do medicamento pelo paciente depende de vários fatores e “quanto maior for a interação médico-paciente, paciente-dispensador, mais próximo se alcançará um bom resultado”.
na foto: Bruna, Carine e Diony
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